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Programmi
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Anno
Alberioniano 4 aprile 2003 – 4 aprile 2004
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Homilia em acção de
graças pela beatificação
de Tiago Alberione, na Sé de Faro
(30/11/2003)
1 — Acção de
graças
Estamos reunidos nesta assembleia, para dar
graças a Deus, nosso Senhor, admirável nos seus santos. Com o
coração, cheio de alegria, louvemos o nosso Deus, «santo, santo,
santo», que nos convida a ser santos como Ele é santo: «Sede
santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo».
Foi o Senhor, três vezes santo, que quis
chamar-nos à comunhão de vida com Ele, e, na sua admirável
misericórdia, nos escolheu para sermos seus filhos adoptivos,
tornando-nos participantes na sua perfeição divina. Alguns de
entre nós revelam-se mais santos aos nossos olhos e aos olhos de
Deus. A Igreja reconhece tal santidade e apresenta, perante nós,
aqueles que ela, na sua sabedoria divina, entende propor-nos
como modelos de vida. Esses são os nossos irmãos santos. O
bem-aventurado Tiago Alberione, Fundador das nossas Irmãs
Paulinas, foi reconhecido como um deles, no passado dia
27 de Abril. Demos graças a Deus. A sua festa litúrgica figurará
no calendário da Igreja, a 26 de Novembro, data da sua passagem
deste mundo para o Pai. Por isso, aqui estamos no Domingo
imediatamente a seguir a essa data, para, pela vez primeira, em
comum, darmos graças ao nosso Deus, pela santidade do Beato
Tiago Alberione. Fez 32 anos que morreu, na 4ª feira passada.
Tinha, então 87 anos de idade.
2 — A liturgia de Advento
Este Domingo de Festa tem características
peculiares. Começamos, hoje, urna nova etapa da vida litúrgica
da Igreja, dando inicio a um novo ano de contemplação dos
mistérios do amor de Deus, revelados em Cristo Jesus. No
decorrer de mais um ano, vivido liturgicamente, a Igreja
convida-nos a encetar de novo o caminho da santidade,
propondo-nos o Natal como primeiro grande eixo à volta do qual
nos convida a contemplar o rosto de Cristo. Entramos hoje no
Advento, nesse tempo de preparação para o encontro com Deus, na
Pessoa de Jesus, Verbo de Deus feito homem no seio de Maria.
Dóceis aos apelos do nosso Santo Padre, queremos, no início de
mais um ano de vida, em Igreja, abrir o coração e os olhos da
nossa fé Àquele cujo rosto importa descobrir em profundidade
sempre crescente, a fim de penetrarmos no mistério da sua Pessoa
e do seu amor e nos deixarmos atrair pelo tipo de vida que Ele
nos propõe como meta — a vida com Deus e em Deus.
Na contemplação de Advento e de Natal, somos
convidados a contemplar o amor de Deus, a humildade e pobreza a
que Jesus se submeteu, a generosidade de Maria, o apelo ao total
aniquilamento do nosso «Eu», derramando-o no «Eu de Deus». Este
é o rosto de Jesus que Alberione descobriu e agora contempla
pelos séculos sem fim.
3 — A Palavra bíblico-litúrgica deste Domingo
O nosso Deus, Aquele que é santo e nos quer
santos, falou-nos pelo Profeta Jeremias e garantiu-nos o envio
«dum rebento de justiça», descendente de David. E diz-nos
mais: «O reino de Judá será salvo e Jerusalém viverá em
segurança», precisamente nos dias desse descendente
messiânico. A Igreja vê, em Cristo, a concretização deste
oráculo profético. Ao falar de justiça e segurança»,
importa entender o significado bíblico de tais expressões.
Justiça deve traduzir-se por perfeição da santidade e
segurança deve entender-se como salvação oferecida por Deus
aos homens que Lhe souberem abrir o coração. Efectivamente tudo
isto se realiza em Cristo, cujo rosto somos convidados a
contemplar, sobretudo neste tempo de Advento e Natal. Neste
sentido, torna-se bem clara a mensagem de S. Paulo na segunda
leitura deste Domingo: «O Senhor vos faça crescer e abundar
na caridade uns para com os outros e para com todos». «O Senhor
confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível,
diante de Deus, nosso Pai»
Ao celebrar a preparação do Natal, a Igreja
leva-nos ao encontro do Cristo da primeira vinda, ou seja, do
Cristo da Encarnação, que se fez homem, assumindo, por inteiro,
a nossa humanidade débil e pecadora. Ao fazê-lo, não pode deixar
de nos projectar no plano global de Deus, realizado em Jesus.
Por isso, o Evangelho deste Domingo, mais do que apontar,
directamente para o Natal, direcciona-nos para a última vinda do
Senhor, aquela na qual se há-de consumar a vida toda, tanto mais
rica quanto mais em comunhão com Deus tiver sido vivida. Só
nesse encontro definitivo encontraremos o Senhor com todo o seu
«poder e glória». Nessa altura, diz-nos o texto:
«erguei-vos e levantai a cabeça, porque chegou o dia da vossa
libertação». Esse dia já chegou para o P. Tiago Alberione, o
qual, de junto de Deus, de cabeça bem erguida, nos convida à
santidade.
4
— Vida e acção do Beato Tiago
Mas quem foi Tiago Alberione?
Um sacerdote apaixonado
por Jesus Cristo, desejoso de O dar a conhecer ao mundo inteiro
à maneira do Apóstolo S. Paulo.
Um fundador exímio
que enriqueceu a Igreja do século XX com cinco Congregações,
cinco institutos de vida secular consagrada, e um Movimento
apostólico laical.
Um profundo admirador de S. Paulo ;
desejoso de levar Cristo ao coração das massas, que deixou
marcada uma presença do Evangelho em sessenta e duas nações,
através dos diversos Institutos por ele fundados.
Um evangelizador moderno
que soube lançar mão da poderosa arma dos meios de comunicação
social, fazendo deles o seu púlpito privilegiado.
Um homem de fé ,
que, como ele mesmo diz, fez «tudo e sempre à luz do sacrário
e na obediência».
Um homem de uma grande profundidade
espiritual ,
que soube legar em herança aos seus discípulos e discípulas, aos
quais deixou a seguinte norma: «viver integralmente o
Evangelho de Jesus Custo, Caminho, Verdade e Vida, no espírito
de S. Paulo, sob o olhar da Rainha dos Apóstolos»; viver a
vocação ao apostolado assentes em quatro rodas, como um carro
— a oração, estudo, apostolado, pobreza. É que, «o
microfone, a máquina de impressão, o cinema, a tipografia, a
sala de produção e a de projecção, o computador, a Internet
e outros meios materiais de apostolado, sem uma sólida vida de
união a Deus, são um corpo sem alma.
No seu programa para a América, que é programa
para toda a acção pastoral das Irmãs Paulinas e dos outros
membros desta família, dizia o seu Fundador: «Espalhareis a
divina Palavra com a imprensa: dai-a com o mesmo coração que
teve Jesus, Mestre ao pregá-la; com o ardor que
animou São Paulo a difundi-la; com a graça e a humildade pela
qual Nossa Senhora deu a ler ao mundo, como num livro, o seu
Filho, o Verbo encarnado, que é Caminho, Verdade e Vida».
Este é o Beato Tiago Alberione cuja beatificação
queremos agradecer a Deus.
Que ele interceda por nós, a fim de sermos fiéis
aos apelos de Deus e às necessidades dos homens, em cada tempo e
lugar, como Paulo e como o Bem-aventurado. Mas sobretudo, que
ele, lá, junto de Cristo, o centro de toda a sua vida e
apostolado, nos ensine a contemplar o verdadeiro rosto do
Senhor, durante a nossa vida terrestre, para podermos
«erguer-nos e levantar a cabeça», no grande dia do nosso
encontro final com Deus.
† D. Manuel Madureira Dias
Bispo de Faro
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